Tuesday, February 2, 2010

Quando o Resto da Família Mora Longe

Esse post é especial para as mamães que, assim como eu, moram longe de seus pais, primos, irmãos e amigos de longa data.

Chegamos semana passada em NY depois de 1 mês de férias no Brasil. Foi maravilhoso reencontrar todo mundo e, principalmente, a Nina ter mais contato com os avós que tanto sentem sua falta.

Acho maravilhoso estar com todo mundo, mas também é bom demais voltar para nossa casa. Eu já moro fora do Brasil a 7 anos e diria que hoje, não só aprendi a gostar, mas também a apreciar e valorizar a liberdade que tenho por aqui. Liberdade no sentido de não me sentir em perigo iminente o tempo todo. De saber que posso fazer minha vida a pé ou de metro sem ficar horas a fio no transito. Liberdade em sair "esculhambada" ou "bem a vontade" pelas ruas. Liberdade e oportunidade para conhecer cabeças, pessoas e culturas diferentes.

Como isso é enrriquecedor!

A única coisa é que agora, a pequena dá os primeiros sinais de que fica com saudades da família que ficou no Brasil. Ela ainda não entende exatamente o que significa essa distância. Fico imaginando o que deve se passar pela cabecinha dela. Um dia aquela bagunça, gritaria, todos falando ao mesmo tempo e ela o centro das atenções. No outro, papai, mamãe, eu e meus amiguinhos "novaiorquinos".

Será que ela se pergunta aonde foi parar todo mundo?

Eu sinto que deve haver algum tipo de confusão, pois desde o dia em que chegamos ela está muito mais manhosa, quer colo o tempo todo, chora se eu saio, etc e tal...coisas que ela não faz normalmente.

Acredito que em mais algumas semanas tudo volte ao normal. Ela voltará a se acostumar com sua rotina e consequentemente, se sentirá segura novamente.

Certa vez ouvi de uma pscióloga que quando a grande família (avós, tios, primos, etc) mora em outro lugar é muito importante que núcleo familiar (pai, mãe e filhos) esteja bastante sólido e unido. Isso será fundamental para que a criança entenda essas "perdas" momentâneas.

10 comments:

Fernanda said...

A tendencia eh "piorar": cada vez mais ela vai pedir para ver os avos e primos e dizer o quanto estah com saudades disso e daquilo.
O Andre eh obcecado com o mapa mundi agora (aliás comprei um super fofo na Land of Nod. ;)) e todo mundo que chega aqui, ele pede pra mostrar no mapa onde mora. Acho que eh o jeito dele de se sentir mais perto? Mais em controle?
As vezes me corta o coracao saber que ele estah crescendo longe da familia, o que ajuda bastante são nossas conferencias no skype e de saber que ele sempre vai ter as ferias no Brasil como algo magico e excitante para "looking forward" todo ano. Meio um Natal eterno, mesmo depois que ele deixar de acreditar no Papai Noel, né?

Bjs.

Rafaela said...

Ai Paula...
Lendo seu post eu comecei a pensar que daqui a pouco minha mae vai embora e vou ficar sozinha com meu bebe aqui...
tive bebe dia 17 de dezembro e ela esta aqui desde entao... meu pai veio e foi embora em 2 semanas, oque rendeu MUITO chororo da mae, nao do Be, e quando a minha mae for, vai ser BEM pior...
como voces sobreviveram a isso? voce, a Fernanda ai de cima...
que dor pra mim que sou novata em morar fora... : (

Fernanda said...

Rafaela, a verdade, por mais clichê que pareça, é que o sofrimento vai diminuindo pouco a pouco. Nao é que deixamos de sentir saudades, mas é que suportamos ficar longe por mais tempo, sabe? O meu primeiro ano aqui, eu lembro a saudade insuportável que eu estava de tudo e de todos depois de 6 meses; hoje em dia, depois de 9 anos aqui, eu fico numa boa sem ir um ano inteiro. Tenho saudades sim, mas nada que me faça chorar no banho ou comprar a Globo Internacional. Hahahhaha. Voce vai ver que o tempo, realmente atenua o sofrimento. Bjs.

Paula Duailibi Homor said...

Eh isso ai Fe! Concorco 100%. Além disso Rafaela, vc precisa abraçar a vida por aqui do jeito que ela é. Tentar viver a vida do Brasil, a distancia, nao vai dar certo. Procure fazer amigos por aqui, uma turma que esteja no mesmo momento de vida que vc, faca um curso se vc puder ou volte para o trabalho. Leve uma vida normal vivendo e experienciando a cidade em que vc esta. bjs

Nina Fiuza said...

Oi meninas, eu imagino como é. Quando fui pros EUA solteira tudo era mais fácil. Com filho a gente fica sofrendo em dobro (tema do meu post hoje), querendo que o filho não sinta a saudade que a gente sente da família. Há um ano eu moro em São Paulo... só eu, marido e filha. Não temos família aqui, ficaram todos em Minas. Mesmo sendo mais fácil de ir e vir, também acado passando por situações assim. Também usei a tática do mapa pra fazer ela entender. Quando recebemos visita é aquela animação e dia de despedida vcs imaginam. Mas, acredite se quiser, depois de um ano, na última visita que recebemos dos meus pais minha filha me disse que estava com saudades da nossa casa só com a nossa familinha. Fiquei feliz porque sentir isso que a Paula falou... acho que conseguimos consolidar a nossa família (o que no meu caso é mais que especial).

mimi said...

Nossa me identifiquei total com esse post. Ainda sou nova no tema(estou só a 3 anos fora, vivo em Madrid) e o Lucas acaba de completar 1 ano. Depois de muito ir e vir ao Brasil esse ano decidí q o meu objetivo será fincar raizes ( pq vamos combinar essa historia de viver em um país e ter a cabeça e o coração em outro, não é nada fácil) vou tentar fazer o q vc disse. " viver o hj e aproveitar ao máximo as maravilhas de se viver longe do nosso Brasil querido ;-))
um beijo e parabens pelo blog

Anonymous said...

Paula
Acho que todas nos que moramos fora passamos por isso. Meus pais ficaram aqui 1m no final do ano, viajamos juntos, mas um dia chegou a hora deles voltarem ao Brasil. Os 1os 15 dias foram um terror, o Luca acordava todas as noites gritando "mamae" e demorava umas 2 hr para voltar a dormir, ainda mais para completar o Ale teve que viajar a trabalho nesse periodo. Foi um caos, mas depois passou. Eu tenho usado cd vez mais o Skype para tentar, a medida do possivel, manter a convivencia, mas as vezes me corta o coracao pois o Lu tenta ver atras do laptop - como se fosse encontrar os avos. Vamos para o Brasil em Marco, quero so' ver como sera' a volta......
bjs Tati

Paty said...

ja morei fora por 3 anos, voltei para o Brasil, e agora estou aqui ha 1,5. sem como e ir e voltar. no comeco , da primeira vez, estava sozinha, e foi mais dificil. agora meu desprendimento foi muito maior. sinto falta da familia. de ver meu sobrinho crescer. mas isto a gente aprende a conviver... bjs

piscardeolhos said...

Oi, Paula, meu estágio de desprendimento familiar foram os 5 anos que passei em Londres, solteira. Estou de volta ao Brasil mas já engatilhada para uma expatriação do maridão, que deve acontecer até o fim do ano. Não sei se é viagem minha mas acho que agora, como marido e filho, vai ser ainda mais fácil? Talvez porque mesmo aqui no Rio eu não tenha contato frequente com a familia, que mora no sul. Acho que os avós sentem sim, mas já se acostumaram com a filha passarinho que eles colocaram no mundo :) E o netinho não será nada diferente, I'm afraid...
Gosto do seu blog.
Beijo

patricia said...

Paula,
É a primeira vez que leio seu blog e adorei! Me identifique muito, porque também sou advogada e moramos um período em Boston, retornando a São Paulo quando nosso filho tinha 2 anos e 8 meses. Sinto MUITA falta de lá, a vida era exatamente como você descreveu: a alegria de curtir um filho o dia todo, essa liberdade incrível de se vestir, de ser respeitada como qualquer outra pessoa, e a tranquilidade de andar a pé pelas ruas, sem olhar para trás. Isso tudo não tem preço. A saudade, a gente supera com o uso do Skype e as visitas!
Parabéns pelo blog e as dicas estão incríveis!!!

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