Tuesday, March 9, 2010

Revista The Economist Desta Semana

Simplesmente não dá para não comentar a matéria de capa da revista The Economist desta semana.

A matéria trata de um fenômeno aterrorizante que vem assolando o mundo - principalmente a China e o norte da India - que se chama "Gendercide" (algo como genocídio de um dos sexos - feminino ou masculino. No caso em tela, do sexo feminino).

Meninas são abortadas, assasinatas ou negligenciadas. Os números ultrapassam os 100 milhões e não param de subir. Dizem que a destruição das meninas se dá a três fatores principais: (i) preferência cultural por meninos (trabalho físico ainda é necessário nas áreas rurais e corresponde a principal fonte de renda das famílias de baixa renda; muitas vezes apenas filhos homens herdam propriedade; as meninas são prometidas em casamento para outra famiília e os pais querem alguém para cuidar deles quando ficarem velhos; as meninas precisam levar um "dote" no casamento); (ii) desejo dos tempos modernos em se ter uma famiília menor; e (iii) a possibilidade de se descobrir o sexo do bebê atravéz do ultrasom.

A principal consequência deste desequilibrío é o aumento da criminalidade. Em qualquer lugar do mundo, rapazes solteiros sem família, muitas vezes, causam problema. Os índices de criminalidade, o estupro, o tráfico de noivas e até o suicídio de mulheres estão subindo e vão continuar a subir conforme as gerações do desequilíbrio homem/mulher chegam a maturidade.

Dizem que a China possui o mesmo número de homens solteiros que a população total masculina dos Estados Unidos.

Acredita-se que a única maneira de se acabar com esse desequilíbrio é atravez de uma mudança cultural, como aconteceu com a Koreia do Sul. Nos anos 90, a proporção homem/mulher na Koreia do Sul era quase tão ruim quanto na China. Atualmente estão a caminho da normalidade. Isso aconteceu devido a mudanças culturais como a educação das mulheres, ações judiciais anti-discriminação e governantes pró direitos iguais.

Enfim, recomendo a leitura do artigo.

3 comments:

Lia said...

Paula, meu sogro, que trabalha com chineses e já foi várias vezes à China, disse que lá é proibido dizer o sexo do bebê à mãe durante à gestacão, justamente por causa da quantidade de abortos. Como lá eles só podem ter um filho, devido ao controle rigoroso de natalidade, não querem perder a cota com uma menina. Ele tem uma colega de trabalho que está grávida e não sabe o sexo da crianca.

Rafaela said...

é uma loucura esse lance de cultura... quando eu engravidei, chamava o Be de Isabela até o final... sou louca pra ter uma menina...

Carol P said...

Por essas e po outras eh proibido dizer o sexo do bebe antes do scan de 20 semanas na Inglaterra. Claro que em clinicas de scan privados, eles dizem. Mas no publico que eh usado por todos eh proibido, pois o aborto eh liberados ate 25 semanas senao me engano.O que nao impede muita coisa.

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