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Tuesday, March 22, 2011

Blogueira Convidada: Quando o Pai Participa

A Blogueira Convidada dessa semana é a Katia Ouang que escreve o blog Minhas DiKas que como o próprio nome diz, dá dicas de moda, viagem, kids e tudo mais que a Katia acha interessante que vê por ai.

O post de hoje trata de um assunto muito bacana: a participação dos pais quando os filhos são bebês. Na grande maioria dos casos, os pais tendem a se relacionar melhor quando os filhos já interagem. São minoria aqueles que curtem a fase bebê e colocam a mão na massa trocando fraldas, dando papinha, saindo sozinhos para passear.

Já fiz um post sobre esse assunto a um tempo atrás (aliás, a foto que tirei para ilustrar esse post é fantástica) sob o ponto de vista de uma "novaiorquina".

Agora, vocês podem conhecer o relato de uma mãe brasileira, casada com um brasileiro, que mora no Brasil e pode usufruir das facilidades que não dispomos em terras estrangeiras.

"A Boa Surpresa by Katia Ouang

Outro dia precisei sair de casa por algumas horas e deixei minha filha de quase 6 meses sozinha com o meu marido. Quando voltei encontrei os dois dormindo na nossa cama e ela toda suada, pois ele tinha feito uma cabaninha com os travesseiros em cima dela... ou seja, tudo errado! Mas ela estava lá feliz da vida de mãos dadas com ele e não parecia nem um pouco incomodada. Com essa cena senti vontade de homenagear um pouco os papais que nos ajudam tanto ( do jeito deles!!) e que ficam quase esquecidos nos primeiros meses de vida dos bebês.

Antes da minha filha nascer eu sempre escutava que após o nascimento do bebê a responsabilidade era basicamente da mãe, que o pai servia apenas para dar um apoio moral pois não se envolvia e não curtia tanto esse comecinho como nós . Eu sempre achei lindo os pais que via enlouquecidos por seu bebê ajudando a mãe a cuidar, a pegar, a trocar. Mas confesso que no fundo não esperava isso do meu marido. Achava que provavelmente ele só conseguiria criar um elo e se apaixonar por nossa filha bem mais para frente. Pois apesar de sempre querer muito ter um filho, nunca demonstrou ser daqueles homens naturalmente jeitosos com criança. Mas prometi que tentaria envolve-lo nos cuidados com
ela sem forçar nada, deixando livre para ajudar quando sentisse vontade.

Para minha felicidade fui surpreendida mais do que positivamente. Foi incrível o quanto meu marido se envolveu desde o dia em que ela nasceu, e a cada dia se apaixonou mais e mais com cada novidade, cada sorriso e cada carinho que ela demonstrava.

Hoje ele é daqueles “paizões”... troca fralda, dá banho, papinha e a acalma com a mesma facilidade e tranquilidade que eu faço. E o sorriso que ela abre quando vê o pai é tão grande que chega a emocionar. Ela é louca por ele desde o que começou a entender quem é quem na nossa família.

Não tenho palavras para descrever o quanto me sinto feliz por ter sido tão abençoada em poder proporcionar para ela o amor vindo forte dos dois lados, isso só faz com que ela cresça se sentindo amada e segura.

E meu conselho para as futuras mamães é; incentive seu marido a participar do jeito que ele souber fazer desde o comecinho, pois seu filho irá amá-lo de qualquer maneira. E é maravilhoso para a mãe saber que pode dividir de igual para a igual a difícil tarefa de educar e se responsabilizar por um filho nos dias de hoje.

Essa é a nossa família."



Wednesday, February 2, 2011

Blogueira Convidada: A Desilusão do Mamá

A blogueira convidada dessa semana é a Fabiana Saba que escreve o blog FabiSabaNY. A Fabi é ex-modelo e ex-apresentadora de tv e agora dedica-se em tempo integral as suas duas filhas: Victoria de 2 anos e 9 meses e Rebecca de 3 meses.

Aqui, Fabiana conta de uma maneira super honesta sua batalha com a amamentação de sua segunda filha.

Muitos preconceitos ou padrões pré-estabelecidos acabam caindo por água baixo quando nos tornamos mães. Por isso, na minha opinião, quanto mais flexível formos, mais felizes seremos.

"mãe feliz, filho feliz"

"A desilusão do mamá by Fabiana Saba


Sei que essa batalha eh antiga e provavelmente muitas lutaram nela. Algumas ganham e outras perdem, e eu estou quase levantando a bandeira branca e me entregando! Mas nao, nao sem lutar antes!

Aqui vai a historia da minha guerrilha:

Antes da Victoria nascer (quase 3 anos atras), eu jurava que ia so dar leite do peito, que nao ia dar mamadeira jamais, ia amamentar por pelo menos 1 ano! Mas como muitas outras coisas que descobri depois que tive filhos, meus planos nao importam, a vida eh como e eh e ponto.

Quando a Victoria nasceu, la no hospital ainda a enfermeira veio me ensinar a dar mama, mas a Vi nem esperou e abriu um bocao e pegou perfeitamente no peito. O leite jorrava e eu me senti uma super mae! Quao natural foi tudo, nao sei porque as pessoas reclamam, pensei eu precipitadamente!

Com um mes a Victoria chorava de fome o tempo todo, e eu me negava a dar a formula, nao queria acreditar que eu, logo eu que queria tanto, nao tinha leite o suficiente! Mas era verdade!
Um dia minha mae, que passou os 3 primeiros meses aqui, pegou uma mamadeira com formula e disse, "ou voce da ou dou eu!" e foi assim que entre lagrimas, que escorriam na cabecinha da Vi, eu dei a primeira mamadeira.
Chorei porque descobri que eu nao tinha controle, que eu nao poderia desenhar a vida dela toda perfeita, so com leite materno, sem nada de fora, nada que nao fosse perfeito. Ela parou de chorar imediatamente! Minha mae entao virou e falou, "...Olha, se voce nao tivesse dinheiro pra comprar formula pra sua filha e ela estivesse passando fome, dai sim voce poderia chorar." E foi assim que eu comecei a complementar as mamadas e aceitei que era assim e pronto!

Eu dava o peito e depois dava a mamadeira, porque assim ela nao ia acostumar com a mamadeira e deixar o peito. Olha, doi, pelo menos pra mim doia muito!!! fiquei toda machucada, mas nao desisti! e assim foi, entre peito e mamadeira ate 5 meses. Acho que foi bom pra todo mundo assim, pq tambem nao teria conseguido mais do que isso mesmo que tivesse leite.

Dai veio a Rebecca (3 meses), e desta vez eu ja sabia o que esperar. Logo no comeco eu nao tinha muito leite e tambem com um mes comecei a complementar. Desta vez sem dramas, sem lagrimas. Mas os meus seios (mais bonitinho chamar assim, ne) doiam muito!!! Aiai, ficaram todo machucado, mas mais uma vez eu nao desiti.
Fui em uma "lactation consultant", fiz acupuntura (nao eh pra mim, ficar la cheia de agulhas, parada, sem fazer nada, afe....), tentei tomar cerveja preta (argh!), mudei minha alimentacao (ela eh alergica a proteina do leite), e ainda estou aqui, tentando, me apegando as poucas gotinhas de leite que ainda me sobram!

Sei que logo ela nao vai mais querer, vai querer so a mamadeira, vai aposentar meus seios. Talvez essa seja a ultima vez que eles servirao para esse proposito, nao sei....Mas nao me sinto derrotada, e nem mais desiludida! Eu tentei, e por quanto pude eu dei mama. Entao me sinto vencedora!


Acredito que seja importante dar leite materno para a saude da crianca, mas sei que a crianca que nao o toma nao vai ficar doente, nem nada assim. Na minha opiniao as maes deveriam se esforcar para dar o leite materno (no peito ou mamadeira), mas sei que pra muitas, principalmente pra quem trabalha eh muito mais dificil.

Mas tambem aprendi que o "bonding", o amor entre mae e filhos nao tem a ver com o dar mama no peito ou na mamadeira, tem a ver com o olho no olho, a presenca, a voz, o cheiro da mae. Claro que a gente ja ama os filhos mesmo antes deles nascerem, mas mesmo amando o bonding vem aos poucos.

No comeco eh dificil, a gente esta cansada e todos querem que as maes estejam radiantes, sorrindo, leves! Poxa vida! A gente passa pelo parto, pela luta da amamentacao, fica sem dormir, cheia de leitinho podre no cabelo e nao ganha nem um sorrisinho, nada! Nao eh facil! Mas esse comeco passa, e dai vem os sorrisos, vem o olhar, se completa o amor!


Boa sorte para as maes que ainda vao comecar essa jornada, e digo aqui que vale a pena, cada segundo, cada dorzinha, cada olheira. Vale muito a pena! Quando aquele primeiro sorriso aparecer voce vai esquecer de todo o resto!"



Wednesday, January 26, 2011

Blogueira Convidada: Como Vestir as Crianças no Inverno

A blogueira convidada dessa semana é a Silvia Scigliano, consultora de imagem, paulistana que mora em NY com o marido e o filho Gabriel de 2 anos e autora do blog Silvia Scigliano & Marcia Crivorot em NY.

A Silvia dá dicas para as "tropicanas" de como vestir os pequenos nesse inverno insano.


"Vestindo Crianças no Frio de Verdade by Silvia Scigliano


Aceitei com imenso prazer o convite da Paula para escrever aqui nesse blog tão
essencial pra todas nós, mães brasileiras com filhos nova iorquinos! Confesso que sou
nova na blogosfera, mas estou adorando trocar informações e experiências. Como
minha área é moda, vou escrever então sobre “Como vestir crianças no inverno”, já que
as amigas sempre pedem dicas, e o post “Mala pro frio de verdade” que publicamos
recentemente no nosso blog foi super acessado.


Vamos focar em crianças de 0 a 3 anos na cidade de Nova York, que é minha
experiência. Devo dizer que não se trata de uma tarefa fácil, visto que os pequenos não
são muito fãs de vestir casacos. NY é uma cidade onde inevitavelmente anda-se muito
a pé, e o entra e sai constante de ambientes aquecidos requer cuidados redobrados
para evitar que esse choque térmico abale nossa saúde. Seguem algumas dicas:


- Procure criar várias camadas de roupas na parte de cima do corpo. As camadas não
só protegem do frio externo como evitam que o calor do corpo se dissipe facilmente.
Além disso, vc pode ir tirando peças de acordo com o nível de aquecimento dos
ambientes fechados. O body branco da Carters por baixo é ótimo pra aquecer o
corpinho (somente até 24 meses), depois pode-se compor looks de camiseta mais
moletom, ou camisa mais sweater, dependendo da ocasião.


- Pra parte de baixo, calças e sapatos com forro, como os jeans forrado com fleece
(tecido flanelado), ou a tradicional calça de veludo. Meias e botinhas nos pés, podem
ser aquelas da UGG, EMU, ou as impermeáveis da Timberland.


- Para cobrir todo o corpo, o casaco com capuz de down (pena de aves) são os mais
quentes e de fácil manutenção (só jogar na máquina de lavar e secar com uma
bolinha de tênis junto, pra ficar mais fofinho). Para os bebês de até 1 ano, existem
macacões inteiros forrados de pelo ou down, com zíper - são super práticos!


- Para as meninas que não dispensam um vestidinho ou uma sainha fofa, é só colocar
uma meia-calça de inverno por baixo, com bota mais alta e casaco até o joelho.


- Os acessórios são essenciais, pois esquentar as extremidades garante o conforto,
principalmente quando eles querem brincar ao ar livre e na neve. Uma boa opção
são os gorros de fleece que prendem em baixo do pescoço e protegem também o
ouvido. Existem uns conjuntos de gorros e luvas com forma de bichos engraçados,
que fazem a tarefa da vestimenta mais divertida! Se seu filho é daqueles que perdem
diversas luvas no inverno, use aquele prendedor que une as luvas ao casaco. Outra
dica é costurar um fio de lã comprido nos punhos, ligando uma luva na outra, colocar
dentro do casaco, passando pelas mangas e pelas costas, evitando assim perdê-las
facilmente mesmo que a criança queira tirá-las. Complicado? Mais complicado ainda
é tentar achar luvas nas lojas de Manhattan no final do inverno! Já o cachecol pra
criança é mais charme que qualquer outra coisa. Mas tudo vale a pena! Aliás, tem
coisa mais linda de se ver do que aqueles “pinguinzinhos” passeando por aí?!


- Falando nisso, se o programa for brincadeiras na neve, não se esqueça de uma roupa
especial apropriada pra neve, totalmente impermeável, dos pés a cabeça. A calça de
neve é do tipo jardineira, as luvas e botas tem de ser quentes e totalmente a prova
d’água para não congelar.


- Por último, mas talvez o mais importante: footmuff (ou bundle me), é aquele cobertor/
saco térmico, que encaixa no carrinho e “zipa” a criança dentro, deixando somente a
cabecinha pra fora. Procure também usar um carrinho com rodas grossas que anda
bem na neve (como o Bugaboo). Para finalizar tudo isso, a capa de chuva plástica
por cima do carrinho, garante o isolamento do frio, neve ou chuva. Bom, assim não há
desculpas pra não sair de casa no inverno! A cidade fica linda e as crianças adoram
brincar na neve!!"


Silvia Scigliano
Image Consulting
Personal Stylist
msscigliano@me.com
silviaemarciaemny.wordpress.com

Monday, November 15, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é a Claudia Storvik do blog Filhos Bilíngues.

A Cláudia é advogada formada pela Universidade Federal do Paraná, com Mestrado (LLM) em Direito Marítimo pela University College London. Trabalha para uma grande seguradora marítima norueguesa, onde edita uma revista especializada em direito e seguro marítimo. Casada com um norueguês e apaixonada por linguística, Cláudia, que já morou nos Estados Unidos, Noruega e há 12 anos vive na Inglaterra, fala português, inglês, norueguês, francês e espanhol. Tem uma filha de 12 anos que fala português, inglês, norueguês e atualmente estuda francês e mandarim. Seu blog filhos-bilingues.blogspot.com discute estratégias práticas para a educação de crianças bilíngues.

"Filhos bilíngues, Famílias felizes by Claudia Storvik

Para começar, gostaria de agradecer à Paula pelo convite para escrever pro NYWITH KIDS. Sou blogueira novata, mas no processo de criação do meu blog descobri que existe sim uma coisa chamada blogosfera, e principalmente uma blogosfera materna, como a Paula diz. Estou adorando fazer parte dela. No meu blog, eu conto sobre a minha experiência criando uma filha trilíngue na Inglaterra e tento passar informações úteis a brasileiros que moram no exterior e estão tentando ensinar várias línguas, especialmente português, a seus filhos.

Minha casa é uma verdadeira Torre de Babel. Eu sou brasileira, meu marido é norueguês e moramos na Inglaterra, onde nossa filha nasceu e sempre viveu. Português, norueguês e inglês são usados em diferentes situações na nossa rotina familiar diariamente. Eu e minha filha falamos as três línguas, meu marido apenas inglês e norueguês.  Como em tantas outras famílias em que os pais têm idiomas maternos diferentes e vivem num país onde uma terceira língua é falada, a definição do sistema linguístico doméstico, ou seja, a decisão de que línguas vão ser faladas em casa, pode depender de fatores existentes antes do nascimento dos filhos, para os quais o casal não dá muita atenção até o momento em que percebe que um sistema alternativo seria melhor para desenvolver o bilinguismo (ou trilinguismo) dos rebentos.

Por exemplo, quando um casal multilíngue se acostuma a falar entre si em determinada língua, eles podem ter grande dificuldade para mudar este costume caso decidam mais tarde que há maiores benefícios para os filhos se eles falarem entre si em outro idioma. Especialistas dizem que é extremamente difícil mudar a língua (ou línguas) em que nos comunicamos com alguém uma vez que o hábito é formado. O idioma usado se torna uma definição do relacionamento. Mudar o idioma é como uma negação do passado. Quanto mais profundo o relacionamento, mais difícil é mudar, e muitos casais acham essa mudança impossível. Em teoria não existe nada que impeça essa mudança, mas na prática parece que isso simplesmente não acontece. Também é por isso que se diz que qualquer tentativa de criar filhos bilíngues que envolva uma mudança do idioma usado pelos pais para se comunicar entre si está fadada ao fracasso.

Quando conheci meu marido eu tinha acabado de me mudar para a Noruega e não falava norueguês. Nossa comunicação se dava em inglês, a única língua que tínhamos em comum. Mais tarde aprendi a falar norueguês, mas continuamos nos comunicando em inglês, apesar de durante um período após o nascimento de nossa filha termos conscientemente tentado mudar para norueguês. Por incrível que pareça, a tentativa fracassou principalmente (embora não unicamente) porque meu marido não conseguia usar norueguês de forma natural e expontânea em sua comunicação comigo e tinha que ser constantemente lembrado do que estávamos tentando fazer. Decidimos então intercalar as duas línguas, usando norueguês de tempos em tempos para expor nossa filha ao idioma, mas a língua natural de nosso relacionamento continuou sendo inglês.

De acordo com um especialista em comunicação que conhecemos em um seminário há alguns anos, esse fracasso em mudar o idioma usado entre nós foi um fato positivo para o nosso relacionamento. Segundo ele, eu e meu marido estamos em uma situação de igualdade, pois ambos usamos uma segunda língua para nos comunicarmos um com o outro. Se tivéssemos conseguido mudar para norueguês meu marido estaria em vantagem, porque a comunicação se daria em sua língua materna, enquanto eu estaria usando uma língua da qual não sou falante nativa. Será?

Quanto à relação com a minha filha, nunca tive a menor tentação de falar com ela em outra língua que não fosse o português. Embora a gente fale em norueguês e inglês quando está com outras pessoas que falam esses idiomas, entre nós duas sempre usamos única e exclusivmente português. Sou o típico exemplo de “você pode tirar a garota do Brasil mas não pode tirar o Brasil da garota”. Amo o Brasil e a língua portuguesa de paixão e não poderia deixar de usá-la para me comunicar com minha única filha. Como dizia Fernando Pessoa, a minha pátria é a língua portuguesa.

Depois de alguns acidentes de percurso, hoje a rotina linguística da nosa família é a seguinte:

Todos juntos: falamos principalmente inglês, e às vezes norueguês
Meu marido e minha filha: falam principlamente inglês, às vezes norueguês
Meu marido e eu: falamos inglês
Minha filha e eu: falamos português

Com esse arranjo minha filha se tornou totalmente bilíngue em português e inglês, tanto falados quanto escritos, e muito competente em norueguês. Nunca forçamos nada, deixamos que as coisas acontecessem sempre da forma mais natural possível.

Como tantas outras escolhas que pais precisam fazer em relação a seus filhos, dar-lhes ou não uma educação bilíngue (ou trilíngue) é uma decisão importantíssima, que tem que ser ponderada e apoiada tanto pelo pai quanto pela mãe. A atitude de cada um dos pais em relação à sua própria língua, à língua do outro e à educação multilíngue em si é muito mais importante que a situação objetiva da família com relação às línguas.

Em alguns casos, criar filhos bilíngues é uma tarefa agrádavel e natural, enquanto que em outros é bem mais difícil. No entanto, se a educação multilíngue for uma prioridade para a família como um todo, a empreitada vai provavelmente ser um sucesso. Acima de tudo, filhos bilíngues devem ser fruto de famílias felizes."


Tuesday, October 12, 2010

Blogueira Convidada

A blogueira convidada dessa semana é, na verdade, outro blogueiro (ebaaaa a blogosfera materna sendo inundada de testosterona).

O blogueiro em questão é meu querido cunhado Antonio Prata. O Antonio - considerado o melhor escritor da nossa geração (não apenas pela própria família obviamente) - escreve o blog Crônicas e outras Milongas.

A crônica abaixo faz parte do livro que o Antonio está escrevendo sobre suas memórias de infância. Segundo o próprio autor "... é um livro de memórias/ficção, de coisas que lembro, acho que lembro ou inventei que lembro, entre meus 2 e 10 anos de idade".

O livro deve ser lançado no ano que vem. Fiquem de olho!!!

"Pra que serve a Cueca? by Antonio Prata

Como todo natal, estou na casa da minha avó, mãe da minha mãe, que fica a poucos quarteirões da nossa. Da outra sala vêm as vozes e risadas dos adultos, que continuam sentados à mesa, bebendo. Estou sentado no chão da sala de estar e, curioso, analiso uma das cuecas que ganhei de presente. Há nela uma incongruência a incomodar-me o pensamento: uma etiqueta. Até aquele momento, tinha cá para mim que a única função das cuecas era proteger as costas do pinicar torturante das etiquetas das calças. Se me dessem um cavalo com etiqueta, numa boa, um carro, um caqui, tudo com etiqueta, ok, menos a cueca. É como uma toalha que viesse molhada ou uma Novalgina que causasse febre.

Vou até a mesa de jantar, consigo uma brecha entre meu tio e minha mãe e, depois de cutucá-la algumas vezes, chamando sua atenção, estendo-lhe a fonte de minha angústia, sem dizer nada -- afinal, a etiqueta falaria por si. Ela, contudo, não entende.
-- A etiqueta, mãe!
-- Tô vendo a etiqueta, o que que tem?
-- Ué, a cueca não é pra etiqueta não pinicar?
 Enquanto todos os adultos estouram numa gargalhada, ela faz um carinho em minha cabeça. Esquivo-me de suas mãos e lanço a próxima pergunta, interrompendo as risadas:
-- Mas se não é pra proteger da etiqueta, pra que que serve a cueca?

Depois de um silêncio que parece-me longuíssimo, todos começam a palpitar ao mesmo tempo.
-- Serve pra não prender o pinto no zíper -- diz a tia Corália.
-- É pra proteger -- fala o tio Alfredo .
-- É pra deixar tudo juntinho e não ficar balançando de um lado pro outro -- sugere o tio Ernesto.

Não posso aceitar aquelas respostas, tanto por serem ruins como por serem muitas. Cada coisa tem uma razão e eles não souberam dar-me a da cueca. Prender no zíper? Mas e quando usamos moletom ou short? Proteger o pinto? Do que? De quem? E se por acaso algo o estiver atacando, não será aquela fina camada de algodão que o salvará. Deixar tudo juntinho? Mas se o legal é que aquilo balança, ué?!

Saio da sala, vou até a escrivaninha da minha avó, pego uma tesoura de unha e me escondo num canto, debaixo da escada. Uma a uma, corto as etiquetas. Aqueles pedacinhos de pano não me pinicarão mais a bunda. Um vago incômodo, contudo, passa a pinicar-me vez ou outra, ao longo da noite. Não sei o que é, mas desconfio que não pode ser sanado com uma tesoura."

Tuesday, September 28, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é Milena Borges dos blogs "There is Always Room" e "A Grande Maçã".

A Milena mora em NY há pouco mais de 2 anos e já se sente como uma imigrante, ou melhor, "de lugar nenhum".

Aqui, ela faz uma comparação bastante honesta, sob o ponto de vista de alguém que ainda não teve filhos, da forma como se sente "dividida" entre dois paises de duas culturas tão diferentes.

"by Milena Borges

Cheguei aqui em NY há pouco mais de dois anos para fazer mestrado e pegar experiência de
trabalho no mercado “mundial” (aqui é tão misturado que nem podemos dizer simplesmente
mercado “americano”). Até bem pouco tempo eu ainda tinha na minha cabeça que era uma
turista, que poderia ir embora quando bem quisesse e tudo seria muito tranqüilo e fácil. Mas vi
não é bem assim...

Em visitas ao Brasil durante este último ano percebi que criei raízes aqui, que me acostumei com
hábitos que antes achava estranho e que não pertenço mais 100% nem lá, nem cá. Estava com
vários questionamentos e foi quando ouvi de um amigo argentino que mora no Brasil há anos:

- Esta é a vida de um imigrante. Sempre que estamos em um país morremos de saudades do
outro.

Nunca tinha me visto como uma imigrante antes, esta palavra parecia mais “pesada” do que eu
poderia agüentar, mas tenho que admitir que é assim que me sinto.

Eu não sou mãe (já falei com mães blogueiras em NY que vou ficar rica se começar a trabalhar
de baby sitter para todas aqui), então vou contar pra vocês aqui neste post o que acho legal ou
não nos dois países.

O que adoro nos EUA:

- Nos EUA a gente tem muito mais liberdade, e não só a liberdade de fazer o que bem quiser,
mas a liberdade de andar na rua sem medo, tirar uma soneca do parque, pegar metrô na
madrugada…

- A facilidade de conseguir um serviço ou comprar alguma coisa. O que você precisar vai achar
aqui, seja uma pessoa para te ensinar a falar um dialeto aborígine ou uma peça para sua
maquina de escrever de 1960 (ou mesmo uma máquina de escrever de 1960). É só buscar
no Google, Amazon ou craigslist.org que tenho certeza que vai aparecer. Aqui em NY nunca
procurei alguma coisa que não tenha achado.

- A cultura do “Faça Você mesmo”, desde pintar a casa até preparar a festa de aniversário das
crianças com tudo feito a mão.

- Diversidade cultural. Nas ruas, restaurantes, escolas, na moda e nos bairros (Little Italy, Little
Korea, Little Índia …)

- As quatro estações. Odeio o inverno, mas gosto de como nos programamos para as estações,
mudando os programas e o guarda roupa. E como no inverno é temporada da Ópera no
Metropolitan eu ate agüento as desvantagens.

O que não gosto nos EUA:

- A distância e solidão das pessoas. Americano parece que é obrigado a brigar com os pais
quando faz 18 anos. Sair de casa é questão obrigatória e morar em outra cidade parece o mais
certo a ser feito. Quando filhos ou pais vão se visitar tem que avisar com antecedência e são
tratados muitas vezes como visitas mesmo.

- O exagero nos descartáveis. É um exagero de lixo produzido e comer em prato de papel tira
o “glamour” de qualquer refeição. Mas o pior mesmo é a tal da faquinha de plástico. OMG, por
quê??

- O tanto de doido e gente escandalosa que existe em NY. Essa cidade já é caótica, suja e
complicada por si só, não preciso de ninguém gritando no meu ouvido que o fim está próximo ou
cantando Rap como se todo mundo em volta tivesse comprado ingresso para escutar.

- O preço dos serviços domésticos. Gostaria de ter uma faxineira daquelas bem profissionais,
mas a maioria que existe aqui cobra super caro somente para passar aspirador e tirar poeira das
estantes. Eu como sou obcecada por limpeza acabo sempre colocando a mão na massa, mas
confesso que não gosto nem um pouco.

O que adoro no Brasil:

- Minha família e amigos. Isto é o que mais pesa na minha balança “lá e cá”. Aliás, eu gosto
do jeito “íntimo” dos latinos, de se meter na vida alheia e chegar na sua casa sem avisar. Acho
divertido.

- Samba! Morro de saudade da música brasileira, das rodas de samba e de um churrasco com
música ao vivo. Não consigo viver de rock, gosto mesmo é de MPB e de música de raiz.

- O clima e a praia. Morro de saudade do calçadão, de viver no ar condicionado e de usar chinelo
o ano todo.

O que não gosto no Brasil:

- O preço das coisas por lá. Pra sair pra comer num restaurante legal, comprar uma roupa nova
ou conquistar o sonho da casa própria é preciso ganhar um dinheiro muito bom. E ganhar muito
bem também é uma tarefa difícil.

- Ao mesmo tempo não gosto como as pessoas parecem estar sempre competindo –
ou “Keeping up with the Joneses” como se diz aqui.. Tem que ter o carro do momento, babá,
empregada e secretária, óculos e bolsa de marca. As festas também são um exagero e ganha
quem der o maior banquete, seja no casamento ou na festa de primeiro ano dos filhos.

- Não sei como as outras pessoas se sentem, mas eu me sinto insegura em vários lugares.
Tenho medo de esperar dentro do carro e fico paranóica se estou sozinha à noite em algum
lugar. Esse sentimento de insegurança é uma droga e muitas vezes a gente nem se dá conta do
desgaste que é passar uma vida assim.

Bem, acho que é isso! Obrigada Paula, pelo convite e por mostrar dicas tão úteis e fofas aqui no
blog!"

Milena com sua sobrinha no Central Park

Tuesday, September 21, 2010

Blogueiro Convidado

Essa semana, ao invés de Blogueira Convidada, temos um Blogueiro.

Guga Chacra é correspondente do jornal O Estado de São Paulo em NY, mestre em Relações Internacionais pela Columbia University e escreve o blog De Beirute a Nova York.

Aqui, ele faz uma breve comparação entre São Paulo (a cidade em que nasceu e cresceu) e NY sobre o ponto de vista da imigração e diversidade cultural.

Boa Guga! Adorei!

"Por Gustavo Chacra

Estudei no maternal do clube Paulistano. Todos os meus colegas praticamente haviam crescido nos Jardins, as mães faziam compras no Santa Luzia, se conheciam desde jovens e, depois das aulas, íamos na piscina do clube treinar natação. Também tínhamos as primeiras aulas de judô e aprendíamos a chutar bola de futebol.

Com raras exceções, éramos filhos de brasileiros. Em alguns casos, casos como o meu, tínhamos avós estrangeiros. Mas, basicamente, São Paulo na época já era uma cidade consolidada como brasileira, sem imigrantes.

Mas nem sempre foi assim. Meu bisavô, libanês, tentou matricular a minha avó, também nascida no Líbano, em uma escola de freiras em São Paulo quando eles imigraram. Os padres perguntaram se ela era batizada. Meu bisavô, orgulhoso, disse que ela havia sido batizada pelo bispo de Rachaya, a cidade deles no Líbano. Os padres disseram que não poderiam aceitá-la, pois batismo de “turco” não tinha validade no Brasil.

Italianos, judeus e japoneses também passaram pelas mesmas dificuldades. Aos poucos, superaram o preconceito e se incorporaram à sociedade brasileira, onde kibe, pizza e sushi se transformaram em parte da culinária tradicional de São Paulo, sem falar nos dois melhores hospitais da cidade, o Sírio-Libanês e o Einstein.

Nova York é um pouco diferente. A onda de imigrantes ainda existe, como o Brasil nos anos 1920 e 30. A Nina, filha da Paula, tem pai austríaco e mãe brasileira. Isso é e sempre foi comum na cidade. Mais importante, em Nova York, o preconceito é menor do que na maior parte do mundo.

Meninos judeus tem colegas muçulmanos desde pequenos. Um filho de italianos cresce com uma noção básica do que seja o Ramadã (mês sagrado dos islâmicos). A patricinha filha de libaneses não vê a hora de ir ao Bar Mitzva do colega boa pinta de Israel. O americano, perdido no meios destas Nações Unidas, se interessa por futebol (soccer) e até compra uma camisa do Manchester United para não ficar por fora. Um brasileirinho, encantado pelo Alez Rodriguez, faz o caminho inverso e sonha em um dia ser “third base” do Yankees.

Na mesma classe, temos os indianos, os egípcios, os ingleses, os franceses, os chineses, os brasileiros. Cada festa de aniversário é diferente da outra, servindo de brigadeiro a Apple Strudel. No futuro, estas crianças serão muito mais multinacionais, capazes de se adaptar a outras culturas, sem preconceito. Saberão diferenciar um terrorista da Al Qaeda de um amigo muçulmano, dificilmente cometerão atos anti-semitas e conseguirão diferenciar um sikh de um hindu. No iPod, terão músicas da Argentina, da Turquia e da Rússia.

O bairro deles não é apenas os Jardins. Eles podem morar no Upper West, em Tribeca ou Park Slope, mas o bairro deles é o mundo."

Tuesday, September 7, 2010

Blogueira Convidada

A bogueira convidada dessa semana e a Rafaela Rangel do blog the gris and me.

A Rafa acabou de sair de NY, onde teve seu filho Bernardo, e está passando 1 ano na Suécia por conta de um curso que seu marido está fazendo.

Aqui ela relata um pouco as curiosidades de sua aventura com o filhote na Escandinávia.

" by Rafaela Rangel

A coisa que mais estou aprendendo nessa minha experiência e quero passar para meu filho é, acima de tudo, respeitar as diferenças, cada povo, cada religião, cada costume e cultura.
Eu sou carioca, casei com um paulista/espanhol e moro em Nova York. A empresa que meu marido trabalha o mandou para Estocolmo, Suécia, para fazer um curso de 1 ano na melhor escola interativa do mundo.
Minha primeira reação foi: Morar na Escandinávia???? No way!!!
Mas, com o tempo, a idéia foi amadurecendo e cá estamos, em um país nórdico, onde no verão amanhece fazendo 15 graus e durante a tarde chega a 9 graus...
Sempre imaginei ter filhos no Brasil, já tinha escolhido hospital, médica... daí aconteceu de parir em NY, e eu amei! foi o máximo! Apesar de algumas diferenças de cultura, como por exemplo quase ninguém ter babá todos os dias em casa, as crianças fazerem "playdates" e trocarem cartões de visita no parquinho. Na maternidade, no Brasil, é um desfile de moda de roupinhas que os bebes vão usar nos seus primeiros dias de vida... em NY, o Bernardo ficou usando umas roupinhas do hospital igual a todos os outros bebes e por aí vai.
Agora vamos a Suécia; eu cheguei aqui com o Be fazendo 8 meses. O Be parou de mamar no peito com 5 meses, desde então, ele toma fórmula.
Aqui nao existe fórmula, só existe um tipo de leite chamado Välling, que é subsidiado pelo governo, feito para todas as crianças de até 1 ano. Até tem o Välling da Nestlé, mas é mais caro, nao tem todos ingredientes que a criança precisa e é bem mais ralinho.
Agora, pra quebrar o gelo (literalmente), o verdadeiro choque de cultura! Uma amiga minha que mora aqui há 12 anos e teve 3 filhos aqui, perguntou para mim outro dia:
- E ai, Rafa! Já colocou o Be para dormir na varanda?
-Oi????!!! é oque?????
-é! na varanda! aqui todos os suecos colocam os bebes para dormir na varanda para acostumar com o frio...

(Nesse momento eu jurava que estava sendo filmada, e a equipe do Faustão inteira iria sair de trás de uma árvore e me contar que eu estava participando de uma pegadinha, que eu tinha ganho 200 mil reais e ía aparecer na TV e me emocionar com um depoimento da minha mãe contando histórias de quando eu era criancinha... só podia ser!!!)

Mas não. A piada não era piada, e eu começei a perceber aqui no meu condominio vários berços nas varandas... é mole?
Aqui, no inverno, só temos 3 horas de luz do dia e as crianças tomam uma gotinha especial que contém várias vitaminas, como a vitamina D, por exemplo, que é absorvida com o Sol...
Mais para o Norte da Suécia (nem 3 horas de Sol tem) sabe o que as mães fazem para as crianças aguentarem o frio? no café da manhã enfiam na boca dos muleques uma colher de manteiga pura!!! (que é energia e gordura, e o colesterol?! brincadeira...)

Outro dia eu estava lendo notícias suecas que são traduzidas para o inglês, e dei de cara com a seguinte notícia: "mãe, após dar a luz de cesária, teve que fazer faxina no próprio quarto"
não acredita? olha aqui. http://www.thelocal.se/28512/20100822/

Outra coisa que me deixa pocessa de raiva, a história dos "pums" suecos... (no meu blog eu conto a história), em qualquer lugar, há qualquer hora... é de enlouquecer!!! mas daí, lendo as notícias, descobri daonde veio esses "pums" incontroláves...  http://www.thelocal.se/28566/20100825/

Enfim, cada povo com seus costumes e culturas, né? Mas o mais legal disso tudo é pensar que a primeira escola que meu filho irá na vida será em sueco!
Quando ele completar 1 ano ele tem direito a frequentar por 3 horas a escolinha do bairro. Imagina que confusão na cabecinha dele? eu e o pai, falamos português com ele, os amigos, ingles, a familia, espanhol e a escola... sueco!
Outra coisa fantástica aqui são os "bidröggs".  São ajudas que o governo dá ao povo. Por exemplo, só por eu estar morando na Suécia e ter um bebezinho, eu recebo uma quantia em dinheiro de bidrögg do governo, independente da minha situaçao financeira. Eu recebo por estar em casa cuidando do Be, e ele recebe para "ajudar" com a fralda, alimentaçao, despesas...
Ah! não posso esquecer da licença  maternidade aqui! é de 1 ano e o pai tem direito de tirar também! se ele não quiser tirar toda, ele pode "doar' os dias dele para a mãe, mesmo ela trabalhando em outra empresa! Muito legal, né?
Algumas curiosidades:

- A cidade é super bem preparada para mães com bebês e seus respectivos carrões. Sim, pois aqui, o Bugaboo Camaleon chega a ser pequeno. Em todos os lugares daqui têm rampas de acesso, elevadores e até uma escada especial pros strollers que são bem úteis.

- Nas ruas existem placas de quando é permitido ou não a criança andar fora do carrinho (especialmente em cruzamentos de ruas muito movimentadas).

- Na suécia existem mais strollers que carros de passeio (it's true!)

- Aqui é super normal ver crianças fazendo malcriação na rua pq se a mãe levantar a mão para repreende-la ela pode ser denunciada e presa.

- Essa é uma das cidades mais baby friendly do mundo.

- A língua não é uma barreira pois fala-se mais inglês aqui do que em NY. 

- Loira gelada não é uma expressão brasileira, nem tão pouco cerveja. É sueca. hahahaha

Bom, espero que voces tenham gostado de saber algumas curiosidades de viver em outros paises e deixem algumas de suas estórias tambem!"

Tuesday, August 31, 2010

Blogueira Convidada

Ela é a poeta das mães da blogosfera.

Já escreveu um lindo post aqui, mas eu, que não me canso de ler e me emocionar com seus textos, reproduzo aqui um dos mais novos e lindos escritos pela nossa grande Marina Fiuza.

Marina: publica logo esse livro!!!

"Férias sem Filhos by Marina Fiuza

Vivi a primeira semana de maternidade anestesiada pela emoção de ser mãe. Não me lembro das dores do parto, que a essa altura já nem sei mais se de fato existiram. Os dias eram marcados não mais pelo ir e vir do sol, mas pelas mamadas e choros que logo se dispuseram em rotina. Foi quando no segundo sábado depois do nascimento da minha filha acordei com o já esperado choro da madrugada. Mas ué? Não é sábado? Então me dei conta de que tinha assumido uma tarefa sem fim, a qual eu cumpriria pela vida toda, sem recessos.
O tempo, amigo camarada, apresentou-me o costume que me deixou assim, acostumada. Parei de fazer as contas das quantas repetidas vezes trocava fraldas, entendi que tudo bem se não recebesse um muito obrigado depois de levantar no meio de uma noite de inverno para fazer uma mamadeira. Aliás, descobri o significado das palavras incondicional e altruísmo. E de tanto que o tempo, o costume e eu andávamos juntos, ficou até estranho pensar na vida antes da maternidade. O que será que eu fazia com tanta liberdade? 
Quase seis anos depois resolvemos me dar férias. Dez dias para eu fazer seja lá o que for que eu fazia antes de ter um filho. Vai ser bom, concordamos sem que eu entendesse o porquê daquele nó na minha garganta. Vejo minha pequena no taxi indo embora com a vó, as duas felizes da vida. Meu sorriso agüenta só até a esquina. A dor é tão grande que vira lágrima, penetra os músculos, rompe os nervos.
Todos os livros que eu leria, os trabalhos que adiantaria, os cinemas que assistiria, as caminhadas que faria, todos os planos se transformam em um par de olhos mirando o teto e um grande vazio na existência. Concluo que devo ter sido muito infeliz até ser mãe.
E o danado do tempo aparece de repente e agora me traz a novidade. Alegre novidade que se acomoda nos buracos vazios que cavou a falta. Tomamos, eu e Ele, uma dose cavalar de romance e conseguimos, depois de um impensável esforço, aproveitar plenamente nossas férias. E como foi bom... Trouxemos na mala um punhado de ânimo e uma coleção de saudades transformadas em presentes. 
E assim vou percebendo, mais uma vez, que tudo tem seu tempo e seu preço." 

Tuesday, August 24, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é Sut-Mie Guibert do blog Viajando com Pimpolhos.

Sui-Mie é francesa, filha de chinesa, casada com um brasileiro. Aqui ela conta um pouquinho do "outro lado da moeda" de como uma estrangeira se adapta a nossa cultura.

"O outro lado da história: o Brasil com um olhar francês by Sut-Mie

Quando a Paula me pediu para escrever em seu blog sobre esse assunto, fiquei bastante lisonjeada e com um frio na barriga! A responsabilidade é enorme, o NYwithkids em si já impõe respeito e quem segue e viu o nível das outras blogueiras convidadas, há de me entender! Mas ao mesmo tempo é um belo exemplo de troca cultural e digital, que hoje em dia, não deixa de ser uma nova cultura! Por isso topei na hora!

Para a historinha, eu sou francesa, nascida em Madagascar, de mãe chinesa e pai francês; morei em vários países desenvolvidos ou não, e passei uma parte da infância no Brasil, em Salvador, o que fez a diferença e me fez querer voltar após a faculdade. Por favor, não vamos fazer cálculos indiscretos, mas digamos que cheguei aqui aos 25 anos.

O intuito aqui é falar sobre as diferenças culturais, porque a Paula achou que eu fosse uma pessoa adequada para falar desse assunto. Mal sabe ela que eu sou a mais brasileira das francesas, ou a mais francesa das brasileiras! Em outras palavras: sou apaixonada pelo Brasil, por isso escolhi morar aqui, casei aqui e agora tenho uma filha brasileira! Ufa! Finalmente consegui dar um jeito e ter o Brasil no sangue, poder dizer que algo meu é realmente daqui!

Mas óbvio que além da paixão pelo país, as diferenças culturais existem, não seria a vida tão rica, pois as diferenças é que deixam tudo mais colorido, concordam? Imaginem se fossemos todos iguais? Ai, que tédio!

E é dessa forma que, às vezes, ainda me surpreendo aqui com a falta de pontualidade, com a falta de compromisso em certas situações, com a facilidade com a qual te mandam ligar e aparecer em casa...gente, eu sou literal (e nessas horas, francesa): se me disser para ligar ou aparecer, eu VOU aparecer! Pode me esperar! Nunca entendi porque me falam uma coisa se é para eu fazer o contrário? Então porque me falam isso? Bref. (expressão francesa = enfim...)
Além disso, nas coisas importantes, é obvio que fico muito chocada pela desigualdade, pela corrupção, pelas leis que servem mais para uns do que para outros...mesmo se sei que não é necessário ser estrangeira para ter esses sentimentos, e que a corrupção existe em qualquer lugar, mas na Europa, você se sente mais resguardado pelas leis, você denuncia, você vê colarinhos brancos caírem. Aqui, muitas vezes e infelizmente, as coisas acabam em pizza, como dizem!

No que diz respeito à maternidade especificamente, tive algumas surpresas, descobri acessórios que não existem na França, tipo “paninho de boca”, “de ombro”, toalhas fraldas (toalhas com um segundo pano por dentro, como uma fralda, para não “arranhar” a pele do recém nascido), cueiros e outras “cositchas mas”. E vou emitir agora uma opinião bastante pessoal, que, certamente, dará vazão a discussões, mas espero que entendam que não é um julgamento de valor, e sim, uma constatação feita por olhos estrangeiros, mas às vezes, penso que existe um certo exagero aqui: as crianças são super protegidas, consideradas frágeis, colocadas em pedestais. Durante a minha gravidez cheguei a pensar que era inexperiente, mas não incompetente ou incapaz, de tanto que todos davam pitacos, queriam ajudar na maior das boas intenções, porém a ponto de eu achar a coisa um pouco invasiva e que estavam me protegendo demais! É claro que o carinho, a atenção e o calor humano foram importantes nesse período e esse é um grande diferencial com a Europa, e é por isso que eu optei por morar aqui, mas o excesso, talvez cultural, acaba te limitando: “você não pode fazer isso”, “o bebê não pode fazer aquilo”...e, assim, vamos caminhando para a fragilidade.
E sinto isso até nas viagens, onde muitas vezes os pais acabam deixando de viajar porque acham que a criança não vai agüentar, não vai se adaptar, não vai comer, a mala para levar vai ser muito grande...(será que são as origens latinas melo dramáticas?!). Enfim... Daí a minha vontade de literalmente desdramatizar isso tudo e mostrar que é possível (e prazeroso!) viajar com crianças!
Tenho, assim, uma tendência a deixar tudo mais prático, e nessas horas, voltam as minhas origens francesas. Existe um lado europeu que eu gosto bastante, que é a “praticidade materna” de lá, com mil acessórios para facilitar a vida, até porque muitas vezes não têm empregada ou babá. Este fato tem conseqüências que eu enxergo como positivas, com pais mais envolvidos porque têm que ajudar e crianças mais independentes, que conseguem fazer várias coisas sozinhas. Claro que não concordo com eles a ponto de terem seus filhos fora de casa aos 16! Nessas horas, dou meia volta e prefiro me sentir mais “brasileira”, com sua cultura familiar e matriarcal!
Por isso é tão gostoso! No fundo, navego entre essas duas culturas, às vezes mais para lá, às vezes mais para cá, sabendo que sou, na verdade, uma privilegiada por ter diversas origens e poder transitar por elas, podendo assim buscar o melhor de cada uma! Porque não existe uma melhor do que a outra, e sim, cada uma com suas especificidades e vamos combinar que cada mãe sabe de sua família, não é mesmo?!

Hoje a minha grande preocupação é transmitir essa cultura e essa oportunidade para a minha filha: tento falar-lhe somente em francês (é super difícil se policiar em um país estrangeiro!), ler-lhe histórias, DVDs, CDs com músicas em francês. Ela entende tudo e fala um pouco, mas claro que se expressa muito melhor em português! Agora, só com tempo e persistência!

Obrigada pelo espaço Paula e espero não ter provocado nenhum choque cultural!"

Tuesday, August 17, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é a Juliana Freitas da Love, Inc. que desenvolve as festinhas e os cartões mais fofos de NYC. A Ju também escreve o blog Juju loves NY.

Aqui a Ju conta um pouco de sua experiência como mãe "novaiorquina" com um pequeno de 1 ano e meio e com outro a caminho.

"by Juliana Freitas

É com imenso prazer que escrevo este post para o NY with Kids, blog da Paula, mãe brasileira que vive em NYC, como eu.  Ser mãe fora do país da gente pode ter as suas dificuldades, e as suas facilidades. Aqui conto um pouquinho da minha vida de mãe brasileira na “Big Apple”.

Quando, em 2004, eu rumava de mala e cuia para San Francisco para fazer uma especialização em design gráfico, mal sabia eu no que minha vida americana viria a se tornar. Adiantados 6 anos nessa fita, continuo nos EUA, mas na costa leste. Casada, com um filhinho no colo e outro na barriga. A vida americana de estudos, viagens e compras se transformou em algo bem diferente do que a minha cabeça poderia imaginar. Obstetras, ultrasons, fraldas, noites acordadas… E um convívio intenso com crianças, bebês, pais, mães e babás… americanos!

Não que eu fosse uma super entendida do mundo infantil no Brasil, mas por ter amigos e família com filhos, sabia mais ou menos como a dinâmica-pais-e-filhos-brasileira funcionava. Ou achava que sabia. Até eu virar mãe.

Nos EUA eu engravidei (e segui o padrão americano de só contar que está grávida após os 3 meses de gestação – que no Brasil assusta muita gente, inclusive a minha própria mãe), fiz o meu pré-natal e virei mãe. Nos EUA eu aprendi a amamentar, virei noites e encarei dores de ouvido junto com um recém-nascido. Nos EUA eu aprendi a dinâmica de pai/mãe e filho. Nos EUA o meu filho aprendeu a andar. Nos EUA eu ouvi muito os pais falarem para os filhos aprenderem a dividir (share) seus brinquedos, até o ponto da exaustão. E assim virei uma mãe de coração brasileira com hábitos americanizados.

E agora, com um filhinho de 1 ano e meio no colo, e outro de 4 meses na barriga, me vejo vivendo uma vida cheia de contradições e dificuldades. Atualmente de férias no Brasil, estranho a cultura das babás que praticamente ocupam o papel das mães. Estranho os inúmeros palpites que recebo na rua de desconhecidos. Estranho o preço das coisas e a vida dos pais que quase não mudam depois da chegada dos filhos.

Mas ao mesmo tempo, sei que no momento em que voltar para casa, estranharei também a ausência de carinho com que muitos pais americanos criam seus filhos, a ausência de disciplina na criação das crianças. Estranharei os gringos se surpreenderem quando der um beijinho numa criança conhecida. E estranharei, acima de tudo, a falta que vou sentir dos meus pais, irmãos e amigos na vida do meu filho. A falta de ter esse amor sempre perto para mim é a parte mais difícil. E é um sentimento mais que contraditório, já que amo a minha vidinha reservada, sem muita gente se metendo em tudo e dando palpite onde não é chamado.

Viver em NY é maravilhoso. Ter filhos e ser mãe em NY é também sensacional. Mas não tem nem um pouco do glamour que as pessoas imaginam ter. Passear em NY é muito diferente de morar em NY. Aqui não tem empregada todo dia, lavadeira, cozinheira ou passadeira. Fazer unha aqui custa o olho da cara. A garagem do carro custa mais do que o próprio carro. Mas ao mesmo tempo, não me preocupo com violência, temos parques e museus maravilhosos ao nosso alcance, temos amigos de todos os lugares do mundo e de todas as raças. Vivemos em NY como se tivéssemos nascido lá, e somos tratados sem algum preconceito. Comemos em restaurantes maravilhosos, que não necessariamente custam caro.

Hoje, apesar de todas as dificuldades de ser mãe longe de "casa", conheço o maior amor do mundo e me vejo muito mais feliz do que um dia pude imaginar que seria. É, ser mãe realmente é padecer no paraíso. Seja lá onde esse paraíso esteja localizado."


Tuesday, August 10, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é a Ana Amaral do blog "Mãe Mochileira, Filho Malinha".

Aqui, a Ana faz um relato super bacana explicando que não são somente as pessoas com $ sobrando que podem curtir viagens e aventuras com seus filhos. Basta ter disposição e espírito de aventura, pois no final das contas, o que fica são as memórias dos momentos que se passam junto.

"by Ana Amaral
 
Nossa! Que responsabilidadeeeeee...rsrsrs.
 
Essa foi a primeira coisa que me passou assim que recebi o convite da Paula! E fiquei louca para escrever, mas com o corre-corre, o tempo foi passando e foi me dando uma baita angústia....Mas no fim deu certo e cá estou eu!! 
 
Bem, aproveito o espaço aqui então (Obrigada  mais uma vez Paulaaaaa! ;-) ) para falar um pouco de mim, das minhas mochiladas com meu marido e filho. Eu tenho 29 anos, me chamo Ana e tenho um filho (Enzo) com quase 5 (no mesmo mês que faço 30 ele faz 5..ohhhh céus! hehe).
 
Sempre fui louca por viagens...sempre! Minha primeira viagem foi aos 7 anos,"sozinha da silva", para visitar uns parentes em Brasilia. Lembro de meus pais dando tchauzinho la embaixo do avião e eu toda feliz da vida, fui na maior calma e toda faceira. Desde então me apaixonei pela coisa. O único problema é que, assumo mesmo, não tenho vergonha: não tenho grana para viajar o tanto que gostaria!!!!
 
Então os mochilões acabaram sendo uma forma prática e acessivel ao meu estilo de vida. Amo luxo, amo conforto(quem não gosta??), mas sinceramente não vou  gastar mais do que posso em uma viagem estilo 5 estrelas!!! E ainda mais com um filho a tiracolo, que torna tudo mais dispendioso!!!
 
Com o tempo e as experiências acumuladas, fui aprendendo uns truques e guardando lembranças memoraveis!!! Nunca vou me esquecer de  passar 15 dias  em Orlando sem falar um "ai" em inglês na época...e mais uma vez fui sozinha...Ou das 3 conexões que peguei só para passar 48hs no Rio Grande do Sul, só eu e minha mochila..e morrer de friiiiooo!!!!(rsrsrs)

Se sozinha já era divertido, imagina compartilhar tudo isso com meu filho???Levei ele comigo pela primeira vez em um mochilão no ano passado onde aconteceu de tudo um pouco: pegamos tempestade, nevasca, ficamos sem grana para poder sair do País e passamos o maior perrengue. Também por questões econômicas dormíamos todos (eu, ele e meu marido) na mesma cama de um albergue e comiamos sanduiche de queijo no chão do quarto, para sobrar grana para os passeios!!!! E quer saber??? foi a experiência mais maravilhosa das nossas vidas!!! Foi um mês perfeito que nos uniu mais do que nunca. Faziamos tudo juntos: tomavamos banho, comiamos, dormiamos..sem a intervenção de ninguem. Nem de babá, nem de avó ou de amigos..eramos só nos 3!!!!! Um por todos e todos por um!!!!!
 
Depois disso, ele virou nosso companheiro de aventuras...fizemos outros passeios mais curtos, mas seja de carro, avião, trem ou canoa, chegamos a conclusão que queremos que ele viva essa aventura conosco que aprenda outras culturas, que aprenda a se "safar" dos problemas, que perceba que a união ajuda nas dificuldades e é muito, muito gratificante. Perceber o sorriso dele, após viajar duas horas dentro de um fusca apertado(sim,esse é nosso carro!!!) só para ver um por do sol liiindo na beira mar e ver que ele já embarca nesses sonhos! Que ele vibra em montar uma barraca de camping, que pula no colchão de um hotel ou que se delicia com um sanduiche de rua no almoço!!!
 
E o melhor de tudo é perceber que não precisamos de muito dinheiro para ter passeios legais com nosso filho...as vezes, arrumamos nossas 3 mochilas, jogamos no carro e vamos para uma praia distante...o que vale é a aventura, é estar junto, é fugir da rotina!!!
 
E fazer planos, desde separar aquela graninha para uma outra viagem e fazer ele participar dessa expectativa, desse sonho...é muito legal!E cada passeio e viagem feita tem sabor de sonho realizado, de conquista..sim, porque para nós 3 não é facil e simples viajar...Mas nunca desistimos dos nosso sonhos e isso que quero passar ao Enzo!!
 
Por isso fiz o blog MÃE MOCHILEIRA, FILHO MALINHA para partilhar essas aventuras com as outras mamães e mostrar que dá sim para viajar, seja dentro ou fora de sua cidade e levar o filho junto e que para isso não é preciso gastar horrores, porque essa é a nossa realidade! Não tenho vergonha de assumir, somos uma familia comum como outra qualquer, com suas contas a pagar, mas que não desiste de sonhar!!! Quero mostrar que viajar com filhos dá trabalho sim, mas é muito, muito gratificante e une muito a familia!!!!
 
Bem, eu AMEI essa experiência de falar um pouco de nós aqui no Blog da Paula e de poder passar para vocês essa mensagem: se puderem deixar a babá em casa e ter um pouquinho mais de trabalho, as lembranças em familia e os momentos serão gratificantes! Realizar aquela viagem dos sonhos em familia é a coisa mais maravilhosa da vida...mas que fazer um pic nic no parque da cidade e fugir da rotina também tem o mesmo sabor!! Beijos a todas! ;-)"



Tuesday, August 3, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é a Gisella Baptista do blog "Meu Fusquinha Rosa" que viaja com seus filhos de 5 e 2 anos desde que a mais velha tinha 2 meses!

Nesse post, a Gi da boas dicas e conta um pouco da sua experiência para as mães que ainda possuem um certo receio em levar seus filhos "junto na bagagem".

"Viajando com os pequenos by Gisella Baptista

Um dos primeiros blogs que passei a acompanhar foi este aqui, da super querida Paula, que dá dicas maravilhosas e escreve de assuntos tão interessantes, que quando ela me convidou para ser blogueira convidada, deu até um frio na barriga!! É uma honra e um prazer escrever aqui para vocês!

A Paula sugeriu que eu escrevesse sobre viajar com os pequenos, que no meu caso são dois, uma menina de 5 anos e um menino de 2, e embora no começo me parecesse que eu não tivesse muita coisa a acrescentar neste assunto, lembrei o tanto de aventuras, imprevistos e surpresas que já passei com eles em viagens, e achei que seria realmente legal compartilhar essa experiência com vocês!

Comecei a viajar com minha filha quando ela tinha apenas dois meses de idade, já que minha família mora em Brasília e eu em São Paulo, e estou pelo menos uma vez por mês nesta “ponte aérea”! Além disso, como não consigo viajar sem eles (só consegui por três dias, deixando com minha mãe e assim mesmo sofri bastante com a saudade), todas as viagens para fora do país que fizemos foram com eles “na bagagem”! E nunca deixamos de ir para nenhum destino que queríamos, apenas fizemos alterações em roteiros e adaptamos para eles. É claro que não conseguimos conhecer tudo o que gostaríamos, e levamos muito mais tempo para qualquer passeio que fizemos, mas tivemos o inesquecível prazer de compartilhar destes momentos com eles, de apreciarmos as risadas, as perguntas e a alegria que só eles poderiam adicionar a esses momentos!!

Já estivemos em Los Angeles, Las Vegas, San Francisco, New York, Miami, Orlando, Paris, Londres, Buenos Aires, Bariloche, alem dos destinos nacionais, como Bahia, Angra dos Reis e Curitiba. Sempre com eles!! Tem lugares dos quais eles nem se lembram mais e que não tem a menor idéia do que representa, mas para nós a presença deles foi um diferencial, tivemos a oportunidade de curti-los muito.

Com tudo isso, quero dizer que sou super favorável a viajar com as crianças, mas não esqueço de maneira nenhuma os incovenientes que isso traz...

Já tive muitos sustos e experimentei de tudo o que vocês podem imaginar!! Estive com minha filha de 9 meses em Miami em pleno furacão Katrina, sem energia elétrica por 3 dias, esquentando as papinhas dela com  fogo improvisado com chumaços de algodão e álcool!! Já tive que ficar dois dias com ela internada em Los Angeles, por causa de um Rotavírus, pagando uma diária de hospital mais cara do que qualquer suíte presidencial da cidade, o que me ensinou a ter SEMPRE um seguro saúde para viagens! Já fiquei sem vôo em Bariloche por causa das cinzas de um vulcão (que fechou o aeroporto) e tive que pegar um ônibus para viajar umas 6 horas até Buenos Aires, tendo apenas umas batatinhas fritas e as mamadeiras do meu filho para dar de comida a eles! No fim do ano passado, fiquei sem nossas malas por uns 3 dias na Disney...

Ou seja, imprevistos não faltaram, mas apesar de tudo isso, acho que vale sim muito a pena viajar com eles!!

É claro que aprendi a ser mais precavida, e além do seguro saúde, sempre procuro me informar onde estão os melhores hospitais em cada cidade e levo uma “mala” de remédios, com antibióticos, antigripais, antiinflamatórios, além de ter sempre biscoitos e mudas de roupas para eles e para mim na bagagem de mão, mas a maior mudança foi a expectativa positiva que aprendi a ter! No começo ficava com medo de que eles adoecessem, que tivesse algum imprevisto, que as malas se extraviassem, etc, o que inevitavelmente atraía essas coisas. Agora viajo mais tranqüila, mais calma, sem pensamentos negativos e torcendo para que tudo dê certo, e sabendo que mesmo que não dê, conseguiremos resolver qualquer coisa que aparecer no caminho!

Nessa última viagem para Paris e Londres, nem abri a mala de remédios! Eles curtiram muito! Fomos a todos os parques, aquários, zoológicos e lojas de brinquedos que encontramos, e quando queríamos visitar algum lugar “de adulto”, colocávamos os dois no carrinho de gêmeos que carrego pra todo lugar, “sacávamos” o DVD portátil e colocávamos um filminho. Era uma paz só!!!

Mas não se esqueçam que o planejamento é super importante!

Hoje em dia tem vários guias das cidades para as crianças, que trazem atividades, restaurantes e outras dicas. Além disso, tem vários blogs direcionados ao assunto, como este maravilhoso aqui, que consultei quando fui para NY!!"

Tuesday, July 27, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é minha amiga/companheira de playdates Fernanda Amaral do blog "Os Novos Yorkinos".

A Fe passou por uma experiência muito interessante que foi voltar de "mala e cuia" para o Brasil, não se readaptar e decidir voltar "de mala e cuia" para NY de novo.

Aqui vai a estória nas próprias palavras da Fernanda.

"Uma Estranha no Ninho by Fernanda Amaral

Acho que todo brasileiro que mora aqui em NY (ou em qualquer outro canto do planeta), já teve que responder essa pergunta: “mas você volta?” e hoje em dia sem pestanejar eu respondo: “Não! Já voltei e não deu certo”.

Claro que cada experiência é individual e talvez se eu voltasse de novo, em outras circunstâncias de vida, eu tivesse outra impressão, mas tenho que admitir que voltar foi tão dificil (se não mais) quanto ter vindo, pela primeira vez, há quase dez anos, sem falar a língua, sem poder trabalhar, deixando para trás meu emprego, meus amigos e família e a cidade em que nasci e cresci. Voltar para seu país e ver que você não pertence por inteiro e que muitas vezes você não se sente em casa, foi muito, muito estranho, amendontrador e triste.

E não é que quando cheguei aqui, estava achando mil maravilhas não, como disse Caetano ‘narciso acha feio o que não é espelho’: eu chorava todos os dias por 6 meses. Chorava no meio da rua porque não conseguia entender nada; chorava dentro de casa porque queria ver minhas amigas ou xingava os quatro ventos por causa daquele maldito frio (dica #1: NUNCA mude para NY em janeiro). Mas aí o tempo foi passando, a cidade vai se enraizando dentro de você, voce vai curtindo tudo o que uma cultura diferente tem para te oferecer e eu era a “mais nova paulistana a curtir NY numa boa”. Fui fazer uma pós graduação; fiz amizade no parque de cachorros da minha vizinhança, curtia ‘Friends’ as quintas-feiras e nao tinha a mínima saudade das novelas da Globo; fiquei grávida, tive meu primeiro filho (de parto normal) e já me sentia como qualquer outra New Yorker, reclamando dos turistas em Times Square, ou daqueles que não sabem passar o metrocard na catraca do metrô.

Aí deu o “saracutico dos 5 anos”, como diz meu marido. Chega aquela hora que você começa a pensar que foi tudo muito bom, mas como criar o seu filho longe dos avós, dos primos, dos filhos dos seus amigos? Então ele foi convidado pra trabalhar em São Paulo, voltamos de mala e cuia em 2 meses, ele feliz da vida e eu esperançosa, mas meio pé atrás. E não rolou. Muitos foram os fatores, no meu caso:

Erro #1: compramos um apartamento (ao invés de alugar) e enquanto reformamos, ficamos nos meus sogros por quase 6 meses. For the record, eu amo meus sogros, como se fossem meus pais, nos damos SUPER bem, mas ir de um extremo de morar em outro hemisfério para estar na CASA dos caras com bebê de 8 meses?  Preciso dizer mais?

Erro #2: achar que iríamos voltar para nossa vida de 5 anos atrás (não conscientemente é claro), mas tínhamos aquela ilusão de que íamos fazer churrasco todo final de semana, sair pra dançar no meio da semana, ou ligar no final da tarde pra qualquer amigo e fazer algo espontâneo, como bate-volta na praia. HELLO?? A vida de TODOS nós mudou: todo mundo cresceu, casou, teve filho, todo mundo tocou a vida, mesmo que não estivessemos aqui para acompanhar de perto o processo. Nossa volta também foi um pouco de luto da nossa vida de solteiros.

Erro#3: quando estamos longe o Brasil é super idealizado, tudo lá era uma delicia, a comida, todo mundo visitando, etc. Quando você volta (pelo menos pra São Paulo),  você passa 1/3 do seu dia no trânsito, com medo de ser assaltado, quando chove ou tá frio não tem muitas opções pra levar seu filho, a não ser no shopping e o seu diploma da Columbia não adiantou de nada na hora de conseguir trabalho, já que ninguém mais te conhecia na área. OU seja: passar férias no Brasil não é a mesma coisa de que morar no Brasil (duh!).

Muito provavelmente se o meu marido não tivesse topado ser transferido de volta pro banco aqui em NY, nós tivéssemos nos readaptado, como muita gente que volta e adora ter voltado; iríamos curtir ter mais ajuda; eu ia amar depilação e manicure baratinhas ou talvez tivéssemos nos separado (ha!), who knows! Mas o que ficou disso para mim são duas certezas: nada é para sempre ou definitivo mesmo, e eu nunca mais vou me sentir 100% pertecendo a um lugar. Hoje em dia estou de bem com o fato de que eu sempre serei um pouco entrangeira no próprio ninho, tanto aqui quanto lá. "

Tuesday, July 20, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é a Roberta Lippi do "Projetinho de Vida".

A Roberta já e mãe da Luiza de 3 anos e está prestes a dar a luz a Rafaela.

Aqui vai o post dela sobre a decisão de ter ou não ter o segundo filho.


"by Roberta Lippi

Quando recebi o convite da Paula pra escrever aqui nesse blog delicioso fiquei pensando: caramba, que responsa escrever no blog dos outros, ainda mais nesse que eu adoro! No nosso a gente fala o que quiser e se preocupa menos. Mas ali, como convidada, é diferente. Não poderia falar de viagem a NY com crianças porque só fui à cidade sozinha ou com o marido (por enquanto). Bom, se bem que compras para crianças foi o que mais fiz por lá... rsrsrs. Então achei que, dada a extensão da minha barriga e do espaço que ela tem tomado na minha vida, poderia falar sobre a decisão de ter o segundo filho.Porque ter o primeiro, pra mim, nunca foi questão de dúvida. Eu queria, meu marido também, e quando chegou a hora nós decidimos parar de tomar a pílula. Um ano depois, fiquei grávida da Luísa. 

Até então, ter um segundo posteriormente também era ponto pacífico. Nunca, na vida, pensei em ter filho único. Fui criada com mais um casal de irmãos gêmeos com idade muito próxima à minha, então sempre fomos muito companheiros. Meus pais também vinham de famílias com muitos irmãos e eu tinha até um pouco de pena (bobagem) de uma prima que era filha única porque ela não tinha com quem brincar. Sempre achei que dois filhos seriam o tamanho ideal de família pra mim. 

Eis que nada na vida é verdade absoluta, né? E Luísa nasceu, mamou, andou, fez um ano, dois... e nada da vontade de ter outro filho. Sentimento estranho, aquele. Enquanto algumas amigas já emendavam o segundo rapidinho, eu ainda tinha dúvidas. Meu marido, talvez mais ainda, por já ter 47 anos e levar uma vida corrida típica de executivo de empresa. Ele temia não conseguir dar para um segundo filho a atenção que ele estava se desdobrando para dar para a Luísa. E eu também senti muita preguiça especialmente depois que voltei a ter minha vida normal, sair, cuidar do corpo, da saúde, me dedicar ao trabalho, essas coisas. Mesmo trabalhando em casa, opção após o nascimento da Luísa.

Mas aí vinha aquela outra parte do diabinho me cutucando: “mas você não está sendo egoísta? E a Luísa, você não pensa no quanto é importante dar um irmão ou irmã pra ela? Criar filho único nos tempos atuais é estar fadado a mimá-la ao extremo, e um irmão vai ensiná-la a dividir e não se achar ‘rainha’ do pedaço vivendo no meio de adultos!” Ou então: “e quando a gente morrer, ela vai ficar sozinha nesse mundo?”

E esses sentimentos iam e vinham. Até que um certo dia, do nada, acordei realmente com vontade de ser mãe de novo. Sei lá que estalo foi esse, mas sei que ele apareceu. E aí fui conversar mais seriamente com o meu marido e ele concordou que deveríamos tentar. 

E foi assim. Ainda demorou quatro meses depois de parar com a pílula, mas engravidei de novo. Outra menina. A diferença entre elas será de exatamente três anos. E a cada dia eu e meu marido nos olhamos confiantes de que tomamos a decisão certa (de acordo com a nossa realidade, de longe quero julgar quem opta por parar no primeiro). Temos certeza que vai ser bom pra gente, mas melhor ainda para a Luísa, mesmo que ela não enxergue isso no começo por causa de eventuais crises de ciúme. Lógico que vou me descabelar em muitos momentos, mas tenho certeza que não vou me arrepender da decisão de ter mais um filho, o que é outra história. 

No mês que vem, pinta a dona Rafaela no pedaço. De novo, vem aquele sentimento de como ela vai ser, com quem será parecida, como será a personalidade dela. Sabemos, sim, que será um ser diferente e que novamente teremos que aprender a conhecer, amar e respeitar, sem fazer comparações entre as duas. 

E com tudo o que esse novo pacote vai trazer de trabalho, sabemos que agora nossa casa e nossa vida serão uma bagunça só. E quer saber? Acho que é isso que nos deixa mais animados."

Tuesday, July 13, 2010

Blogueira Convidada

A Blogueira Convidada dessa semana é a jornalista Fernanda Paraguassu que escreve o Buenos Aires para Ninõs e cria 2 filhotes na capital portenha.

Aqui, Fernanda conta um pouco sobre os desafios de criar crianças bilingues em terras estrangeiras.

" by Fernada Paraguassu

Quem vai morar em outro país com filho pequeno tem a preocupação de saber como será a vida na escola. Comunicar-se não é o maior problema. As crianças são realmente uma esponja e a maioria aprende rápido. Em pouco tempo podem estar papeando de igual para igual com os amigos. Acredito que o principal desafio é quando a mudança acontece no meio do processo de alfabetização, em que fica impossível não misturar as estações. Por isso, adotei a seguinte estratégia: o idioma da escola (espanhol) e o idioma de casa (português).  

Podemos até ler livros, ver Discovery Kids e assistir a filmes em espanhol. Mas conversamos sempre em português. E se de um lado a escola ensina a ler em espanhol, em casa tento fazer o mesmo na nossa língua materna. Com meu filho Gabriel, de seis anos, está sendo mais fácil porque ele já lia um pouco em português quando chegamos na Argentina. Enquanto folheamos os livros, vou mostrando as diferenças entre os dois idiomas. Brincamos de fabricar nossas histórias, com desenhos coloridos e frases em português. Volta e meia lembro a ele que não temos palavras que terminam em ene e que girafa não se escreve com jota. De maneira leve e descontraída, tento usar o bom senso e acho que tem dado certo. 

Mas a banda toca diferente com minha filha de quatro anos. Para ela, estou mostrando as letras do seu nome. Em casa eme de Manuela é igual ao eme de mamãe. "Eme de boneca também?", pergunta apontando pro desenho de uma muñeca no jogo que ganhou da amiga argentina. Ai, ai, ai... Uma vez ela me pediu uma "mançã". Achei graça. Mas depois pedi que ela escolhesse entre uma maçã ou uma manzana. A última dela foi me apresentar a "Bela Adormecente", uma fusão de Bela Adormecida com Bella Durmiente. Expliquei novamente quem é quem. E assim a gente vai separando o joio do trigo!

Nossa pequena biblioteca está crescendo com livros indicados pela escola ou que pinçamos pelas livrarias de Buenos Aires e bons livros em português que a vovó manda pra gente. Eles escolhem a leitura de cada noite. Ainda que geralmente no fim do dia eu já esteja esgotada, é um hábito que tento manter. Gostamos de alternar o narrador. E, nessa hora, quem sabe ler pratica e quem não sabe, pode inventar. Sempre achei que a família tinha um papel tão fundamental quanto a escola para despertar o interesse pela leitura na criança. Mas quando estamos em um novo país, em contato com um idioma diferente, sinto que nossa dedicação deve ser ainda maior. "

Tuesday, July 6, 2010

Blogueira Convidada

A blogueira convidada dessa semana é minha querida amiga Gisela Gueiros.

A Gi está prestes a se tornar uma mãe "novairorquina" de gêmeos.

Ela escreve o blog Taxi Amarelo no Minas de Ouro e a coluna Nova York do Glamurama com várias dicas incríveis sobre a Big Apple.

"by Gisela Gueiros
 
Quando a Paula me convidou para escrever um post aqui no NY with Kids, me senti honrada... Já era fã do blog antes mesmo de engravidar. Depois do parto, tenho certeza que esta será a minha bíblia – assim como a Paula sou brasileira, casada com estrangeiro, moradora de NY e mãe de primeira viagem... E é da minha gravidez que vou falar hoje!

Eu sempre soube que queria ter filhos. E muitos! Mas nunca imaginei que eu pudesse ter gêmeos naturais. No primeiro ultrassom que fiz, quando estava grávida de oito semanas, a médica (Dra. Chen, ginecologista brasileira de NY, super recomendo) me disse, enquanto olhava pra televisãozinha: "aqui está o coraçãozinho (pausa) e aqui está o outro!" Levei alguns minutos para entender que não se tratava de um embrião alien com dois corações, mas, sim, de dois embriões gêmeos!

Desde aquele dia – um dos mais chocríveis da minha vida –, já sabíamos que eles eram fraternos (gêmeos diferentes), cada um tem uma placentinha. E quando completei 16 semanas, descobrimos que tratam-se de dois meninos!

O mais curioso quando a gente está grávida de gêmeos são os comentários das pessoas – sempre os mesmos!

As perguntas básicas são:

- Tem gêmeos na família?
- Você fez tratamento?
- Você vai vestir eles igual?
- São gêmeos idênticos?
- Você vai tentar parto normal?

E as afirmações são:

- Nossa, você vai ter muito trabalho!
- Meu sonho era ter gêmeos!
- Você está gigante para XYZ semanas!
- Seria perfeito se fosse um casal...
- Meu primo de terceiro grau tem filhos gêmeos.

Enfim, acho que a enxurada de perguntas (seguida do relato de histórias bizarras) soa familiar para toda grávida. Mas a gravidez de múltiplos tem um lado que pouca gente conhece...

Mesmo quando vai tudo bem, a gravidez de gêmeos é considerada "de risco". Isso porque muitas mulheres tem contrações e dilatação antes do esperado, os bebês tendem a nascer prematuros (por falta de espaço), um dos fetos pode parar de crescer e outro continuar crescendo (forçando um parto prematuro para que o bebê faminto possa ser alimentado fora da barriga) e o parto que, na maioria das vezes, é cesárea. Ah! E tem outra coisa: os enjôos são mais comuns nos três primeiros meses, já que os hormônios também são dobrados!!

Neste momento estou de 21 semanas e já tenho que fazer ultrassons a cada 15 dias, para checar a dilatação e o crescimento dos gringuinhos.

Para terminar o post, queria contar a parte mais legal de ter dois bacuris de uma só vez... Primeiro é o fator "dois coelhos com uma cajadada só" – com apenas uma gravidez (ecologicamente correta), você já tem dois filhos – eu, por exemplo, provalmente demoraria mais uns anos para pensar em segundo filho e, de repente, aos 30 já terei dois! Bebês gêmeos já nascem com um amiguinho – um play mate, como eles dizem aqui. E é muito mágico imaginar que o corpo da mulher é tão incrível que pode hospedar dois – ou mais! – bebês ao mesmo tempo...! Uma delícia.

Se alguém tiver dicas sobre o assunto ou perguntas pra fazer, é só deixar um comentário aqui no blog da Paula!"

fotos Gisela Gueiros

Tuesday, June 29, 2010

Blogueira Convidada

A blogueira convidada dessa semana é a Marina Fiuza.

A Nina (LINDO apelido da Marina) escreve um dos blogs mais maravilhosos da blogosfera maternal "Mãe Solteira Recém-Casada". Eu dou a maior forca para ela escrever um livro publicando seus incríveis e sensíveis posts.

As lágrimas rolam na maioria deles. Tudo lindo, autêntico e escrito sob o prisma de uma poeta nata. Parabéns Nina.


Life with Kids by Nina Fiuza

Por ser solteira e carregar apenas vinte e um anos na bagagem, sentia uma enorme obrigação de ser jovem e de agir como tal. Lembro da primeira vez que troquei meus macacões confortáveis da gravidez por uma mini saia. Apesar de feliz por ter recuperado a forma e meu antigo guarda roupa, estranhava-me frente ao espelho. Sentia-me travestida, com fantasia de uma pessoa que eu já não mais conhecia.
Na noite, achava ofensiva a abordagem dos homens. Não se fala com tanta malícia com senhoras mães. E se alguém queria me conhecer melhor eu logo contava, toda materna, do bebê lindo que me esperava em casa. Apesar de me avisarem que tal informação assustaria meus pretendentes, achava impossível falar de mim sem contar aquilo que me era essencial.
Era preciso fazer um esforço enorme para ser aquela que minhas amigas conheciam. Cansava-me tanta atuação. O barulho era irritante, os pés doíam, a bebida era intragável. Quando a melhor música começava, tinha vontade de chorar. Era péssimo levantar do único banquinho encontrado para ter que dançar.
Logo percebi que a vida com crianças jamais seria a mesma de antes. Porque quando um filho nasce ganhamos um novo par de olhos e passamos a enxergar tudo diferentemente. E foi somente quando eu deixei a maternidade assumir o controle da minha vida que me vi feliz de verdade. Grande ironia foi cativar um homem entre mamadeiras e fraldas. E só acreditei quando ele disse que me amava porque sabia que ele me via por completo, com uma criança no colo.
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