Tuesday, September 21, 2010

Blogueiro Convidado

Essa semana, ao invés de Blogueira Convidada, temos um Blogueiro.

Guga Chacra é correspondente do jornal O Estado de São Paulo em NY, mestre em Relações Internacionais pela Columbia University e escreve o blog De Beirute a Nova York.

Aqui, ele faz uma breve comparação entre São Paulo (a cidade em que nasceu e cresceu) e NY sobre o ponto de vista da imigração e diversidade cultural.

Boa Guga! Adorei!

"Por Gustavo Chacra

Estudei no maternal do clube Paulistano. Todos os meus colegas praticamente haviam crescido nos Jardins, as mães faziam compras no Santa Luzia, se conheciam desde jovens e, depois das aulas, íamos na piscina do clube treinar natação. Também tínhamos as primeiras aulas de judô e aprendíamos a chutar bola de futebol.

Com raras exceções, éramos filhos de brasileiros. Em alguns casos, casos como o meu, tínhamos avós estrangeiros. Mas, basicamente, São Paulo na época já era uma cidade consolidada como brasileira, sem imigrantes.

Mas nem sempre foi assim. Meu bisavô, libanês, tentou matricular a minha avó, também nascida no Líbano, em uma escola de freiras em São Paulo quando eles imigraram. Os padres perguntaram se ela era batizada. Meu bisavô, orgulhoso, disse que ela havia sido batizada pelo bispo de Rachaya, a cidade deles no Líbano. Os padres disseram que não poderiam aceitá-la, pois batismo de “turco” não tinha validade no Brasil.

Italianos, judeus e japoneses também passaram pelas mesmas dificuldades. Aos poucos, superaram o preconceito e se incorporaram à sociedade brasileira, onde kibe, pizza e sushi se transformaram em parte da culinária tradicional de São Paulo, sem falar nos dois melhores hospitais da cidade, o Sírio-Libanês e o Einstein.

Nova York é um pouco diferente. A onda de imigrantes ainda existe, como o Brasil nos anos 1920 e 30. A Nina, filha da Paula, tem pai austríaco e mãe brasileira. Isso é e sempre foi comum na cidade. Mais importante, em Nova York, o preconceito é menor do que na maior parte do mundo.

Meninos judeus tem colegas muçulmanos desde pequenos. Um filho de italianos cresce com uma noção básica do que seja o Ramadã (mês sagrado dos islâmicos). A patricinha filha de libaneses não vê a hora de ir ao Bar Mitzva do colega boa pinta de Israel. O americano, perdido no meios destas Nações Unidas, se interessa por futebol (soccer) e até compra uma camisa do Manchester United para não ficar por fora. Um brasileirinho, encantado pelo Alez Rodriguez, faz o caminho inverso e sonha em um dia ser “third base” do Yankees.

Na mesma classe, temos os indianos, os egípcios, os ingleses, os franceses, os chineses, os brasileiros. Cada festa de aniversário é diferente da outra, servindo de brigadeiro a Apple Strudel. No futuro, estas crianças serão muito mais multinacionais, capazes de se adaptar a outras culturas, sem preconceito. Saberão diferenciar um terrorista da Al Qaeda de um amigo muçulmano, dificilmente cometerão atos anti-semitas e conseguirão diferenciar um sikh de um hindu. No iPod, terão músicas da Argentina, da Turquia e da Rússia.

O bairro deles não é apenas os Jardins. Eles podem morar no Upper West, em Tribeca ou Park Slope, mas o bairro deles é o mundo."

10 comments:

Regina said...

estou passando pra te avisar do sorteio lá no meu blog!!
livro: Você é insubstituivel
Autor:Augusto Cury
passa lá!!!
abraços
http://psicologaregina.blogspot.com

Thays Maneschy said...

Adorei o post. Sem dúvida o convívio com outras culturas abre a mente e o horizonte de qualquer pessoa, e quanto antes se der essa convivência, mais benéfico será. Parabéns pelo blog!

Fernanda said...

Tomara, Guga!

Pat in NYC said...

Acho um pouco diferente do que vejo aqui em NY...
Qdo fui procurar a escola do meu filho, vi muito preconceito. Quando eu ia visita-las, ainda nao ambientada, eu ia como ia trabalhar em sp, bem vestida e maquiada, hoje vou como der na telha. Eles me tratavam super bem, apesar do meu ingles sofrivel e perguntava se ele falavam frances, pois arrisco um pouco mais no frances (obvio que eles nao). Pareco americana, pele rosada de tao branca, loira, olhos azuis. Me tratavam excelentemente bem. Qdo ia meu marido um brasileiro normal e com sobrenome Pacheco (ticano?!?!). Faziam cara feia e tratavam super mal...
Por isto optei por uma escola internacional, pela diversidade.

Aqui vc nao ve os preconceitos os chamados ticanos?

Barbara said...

Eu vivi numa parte dos US onde preconceito era muito comum, mas aprendi a superar essa dificuldade! Acredito que muito depende da propria "attitude".
Ser aperto a novas culturas e "stand up for yourself" quando necessario é fundamental na minha opiniao!
Meu noivo é italiano, tenho um cunhado brasileiro, um americano e um tcheco, a nossa familia é uma miscelania!

Mamãe do Matheus said...

Oi Paulinha!!
Tomara mesmo Guga que o mundo seja assim como aí em NY com bem menos preconceito.
Sabe que meu marido é negro e eu branca.Matheus nosso filho saiu"café com leite"como digo a ele.Em Abril deste ano quando ele entrou na escolinha,sofreu muito preconceito pq os coleguinhas diziam pra ele que seu cabelo era feio.Daí ele me dizia:
-Mãe eu quero cortar meu cabelo,pq meus coleguinhas não gostam!
Temos conversado muito sobre isso com ele.Até no DVD XSPB10 falei disso esses dias lá no blog,tem um clique que fala das diferenças...que se chama "você vai gostar de mim".
Temos que acabar com esse preconceito que é banal e não nos traz nada de bom!
Beijinhos...
Danny e Matheus
www.mamysdematheus.blogspot.com

Rafaela said...

Guga,

voce escreve super bem, e no mundo perfeito vc estaria certo... mas a NY que eu conheci, assim como a Paty também tem preconceito e não é essa mistura nao...
minha priminha filha de brasileiros e alemaes passa a aula inteira sacaneando os "hindus" como ela chama...
e os "ticanos" entao?! puatz!...

quem sabe um dia...

até porque, vai uma patricinha do upper east se meter lá no Bronx...

Tati- mamãe legal said...

AMEI O POST!
Aqui no Brasil as crianças não tem a oportunidade de vivenciar a diversidade cultural que vocês tem aí.
bjssss

Karla said...

Amei o texto,e olha que no Japão,não existe tanta diversidade de culturas,mas aos pouquinhos,quem sabe,ne?
Procuro ensinar minha filha a respeitar os outros pelo que levam por dentro e não sua religião,cultura,ainda mais nesta nossa familia de japoneses,portugueses,baianos,goianos,paulistas...
Bjss!!!E viva as diversidades!

piscardeolhos said...

ah, eu sou romântica incansável e acredito SIM no aumento da tolerância através da convivência.
como meu test drive vai ser em cingapura, depois conto TUDO!

beijos e parabéns pro guga
(enfim uma figura masculina, gente!)

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